DESENREDO
Não quero o tom daquela palavra
Não quero o nó daquela decisão
Não quero o fruto daquela lavra
Não quero aquela pedra no chão.
Não quero o aperto daquela mão
Não quero ouvir o que o amanhã nos traz
Não quero saber onde quebra o cordão
Não quero a onda no lago da paz.
Não quero a dureza desse mundo fugaz
Não quero buscar o que a mim não pertence
Não quero viver pelo que aos outros apraz
Não quero o eco do que o inimigo pense.
Não quero sofrer pelo que está sempre ausente
Não quero a tortura de uma espera constante
Não quero o clamor do que todo mundo sente
Não quero o consolo do que só vive distante.
Não quero a rota de uma estrada errante
Não quero as sobras do que o acaso junta
Não quero o remorso e seu fio cortante
Não quero o assombro da última pergunta.
Não quero.
James Melo
Enviado por James Melo em 25/06/2023
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