Vou escrever um poeminha chinfrim.
Sem idéias profundas.
Sem metáforas sublimes.
Um poeminha assim, assim ...
Talvez até sem começo
ou meio
ou fim.
Um poeminha humilde
como a relva do campo
por onde passam rebanhos
noite e dia.
Um poeminha sem graça
que não merece sequer
um olhar furtivo
da multidão que passa.
Que não tem nada a dizer,
que não agrada a ninguém.
Um velho artigo de loja
pelo qual não se paga um vintém.
Um poeminha
que tem pouco ou quase nada
do que foi dito ou vivido,
e que logo que for escrito
será prontamente esquecido.
Um poeminha
que conhece desprezo e abandono
mas vive feliz
nas dobas do meu sono.